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Publicado em 25/01/2018 à 02:01:21
Por: Camila Costa da Cunha
Excelência em soldagem
O Labsolda/UFSC é referência internacional em pesquisa e serviços para indústrias de setores estratégicos como o energético, naval e aeroespacial

Exelência em Soldagem


O engenheiro e professor Jair Carlos Dutra, de 67 anos, já está aposentado, mas a Universidade Federal de Santa Catarina não sai de sua vida. Por 41 anos ele coordenou o Labsolda – Instituto de Soldagem e Mecatrônica do Departamento de Engenharia Mecânica.

Ao longo desse tempo, foi protagonista e testemunha privilegiada da consolidação de um projeto de relevância científica internacional. Hoje oficialmente “professor voluntário”, Dutra se dedica a orientar teses de mestrado e doutorado e participar das decisões do conselho. Para ele, o sucesso do Labsolda é um incentivo a todos os pesquisadores que, apesar das circunstâncias adversas, se dedicam a ciência e tecnologia no Brasil.

A história do laboratório de soldagem começa em 1972, quando o professor Caspar Erich Stemmer (1930- 2012) fez uma viagem à Alemanha e estabeleceu os primeiros contatos com a Universidade Técnica de Aachen para obter apoio internacional ao Departamento de Engenharia Mecânica da UFSC.

A chegada dos primeiros equipamentos importados com apoio do governo alemão, no final de 1973, seguiu-se à contratação, no ano seguinte, do professor Dutra. Começava então um trabalho sistemático para construir um laboratório que servisse não apenas à formação de futuros engenheiros mecânicos, como também de apoio ao setor industrial para a solução de problemas na área de soldagem.

Um dos principais motores da evolução do Labsolda foi a parceria com o mundo empresarial. O laboratório prestou diversos serviços para a antiga Eletrosul, subsidiária da Eletrobrás. Essa parceria se intensificou com a Gerasul, parte privatizada da empresa que depois se transformou em Tractebel e atualmente é Engie Brasil Energia. “Desenvolvemos tecnologia inédita para a recuperação por soldagem das partes erodidas de turbinas hidráulicas”, conta o professor. “Mais tarde, esse trabalho levou à conquista da primeira carta-patente da UFSC, em 2007”.

Em maio de 2017, o laboratório obteve para a UFSC sua segunda patente, um dispositivo em forma de caneta para uso em operações envolvendo arame. A invenção começou a ser desenvolvida 12 anos antes pelos professores Jair Dutra e Régis Henrique Gonçalves e Silva e pelos Drs. Raul Gohr Júnior e Moisés Alves de Oliveira.

Indústria espacial 


Outro marco para o Labsolda foi o apoio da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) para a realização de cursos de especialização de engenharia de soldagem entre 1981 e 1983. Anos depois, a colaboração com a indústria espacial contribuiu para consolidar a reputação do laboratório. “Soldamos parte de um foguete experimental feito pelo Centro Tecnológico da Aeronáutica (CTA)”, conta o professor. “No foguete em que viajou o astronauta brasileiro Marcos Pontes em 2006, a parte eletrônica de um experimento testado na missão foi feita aqui”. O Labsolda também participou da construção de um veleiro com o casco em alumínio, construído pelo Instituto de Tecnologia Naval e Oceânica da UFSC.

Um dos mais importantes parceiros internacionais do Labsolda é o Instituto de Soldagem da Universidade Técnica de Aachen. As duas instituições mantêm intercâmbio contínuo de visitas mú- tuas e estágios de bolsistas.

Em anos recentes, a inserção internacional do laboratório tem sido amplificada pela participação em eventos técnicos relacionados à área. É o caso da parceria com a Cavitar, empresa finlandesa especializada em iluminação a laser para aplicações industriais de alta luminosidade e temperatura – o arco elétrico de solda, por exemplo, pode chegar a 6 mil graus Celsius. Imagens de monitoração captadas pelo Labsolda são divulgadas como referência pela Cavitar e pelo fabricante da câmera de alta velocidade Integrated Design Tools Inc. (IDT).


Parceria com a indústria petrolífera


Entre os projetos do Labsolda apoiados pela Fapeu inclui-se uma pesquisa financiada pela Petrobrás, que avaliou os parâmetros de soldagem em uma liga especial de alumínio feita com magnésio e silício. Os conhecimentos obtidos contribuíram com a indústria de construção de embarcações e equipamentos off-shore para exploração de petróleo em alto mar. Desenvolvido ao longo de 2016 com um orçamento de R$ 190 mil, o projeto trouxe o benefício adicional de possibilitar a participação de dois bolsistas da graduação e dois de pós-graduação, uma experiência valiosa na sua formação acadêmica.

O professor Régis Gonçalves e Silva, atual coordenador do Laboratório e também do projeto, explica que as ligas de alumínio são bastante utilizadas na fabricação de escadarias, módulos de habitação, helipontos e outros equipamentos de plataformas.

A equipe de pesquisadores estudou a liga 6082-T6, conhecida por sua elevada resistência mecânica, porém com a tendência a se degradar quando aquecida por soldagem. Depois de diversos ensaios mecânicos, foi possível avaliar o desempenho de variadas modalidades de soldagem, comparando técnicas tradicionais às modernas.

Também foram comparados processos manuais e robotizados. “Temos quatro robôs no Labsolda, hoje o laboratório mais avançado do Brasil para experimentos em soldagem”, diz o professor Régis Silva. “Somos referência internacional em equipamentos e monitoração para soldagem, envolvendo filmagem de alta velocidade, filmagem térmica e sistemas de monitoração elétrica, com sistemas exportados para outros estados e países como o Chile, China e Alemanha”.

Os resultados do projeto, recém-divulgados na comunidade técnico-científica da área, podem beneficiar todos os setores que empregam ligas de alumínio para a construção mecânica, como indústrias e estaleiros.

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