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Publicado em 24/05/2020 à 02:05:49
Por: assessoria
Ciência, tecnologia e educação a favor da saúde
Plataforma desenvolvida na UFSC capacita profissionais e estudantes do Brasil e do exterior há mais de duas décadas

Uma parceria entre o Departamento de Doenças de Condições Crônicas e Infecções Sexualmente Transmissíveis (DCCI) da Secretaria de Vigilância em Saúde (SVS ) do Ministério da Saúde e a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) vem capacitando remotamente, desde a década de 1990, profissionais da saúde do Brasil e do exterior para tratar e reduzir os casos de doenças sexualmente transmissíveis (DSTs) e Aids.

O projeto de extensão “Desenvolvimento e produção de objetos de aprendizagem a distância, multidisciplinar, na forma de cursos de curta e média duração dirigida à atualização massiva de profissionais que atuam no SUS na área de DST/Aids e hepatites virais” é desenvolvido pelo Departamento de Análises Clinicas (ACL) do Centro de Ciências da Saúde (CCS) e tem gestão da Fundação de Amparo à Pesquisa e Extensão Universitária (Fapeu). “A Fapeu gerencia administrativamente e garante a viabilização do projeto”, destaca a professora Lucy Maria Bez Birolo Parucker, coordenadora do trabalho.

A prioridade do projeto é fazer a manutenção e atualização da plataforma Telelab, que é a principal ferramenta do sistema de educação à distância. A parceria do ministério com a UFSC visa a produção de novos cursos e a constante atualização nos materiais publicados na plataforma disponível no endereço www.telelab.aids.gov.br, sempre atendendo às demandas do DCCI, além de monitorar e dar assistência aos usuários.

Na plataforma são disponibilizados cursos, vídeos e um farta biblioteca virtual, com acesso on-line a legislação, livros, manuais técnicos e instrucionais, além de uma ampla base de dados e fichas de notificação de DSTs/Aids.

Produção

O Departamento de Análises Clínicas do Centro de Ciências da Saúde da UFSC é o responsável pela produção, atualização e desenvolvimento do sistema no modelo atual, implantado a partir de 2012 e no qual todos os cursos são disponibilizados gratuitamente pela internet. O ACL tem a estrutura que assegura o suporte para cursos de curta e média duração, e a UFSC dá a hospedagem da plataforma e assegura o aumento contínuo da demanda. Uma equipe multidisciplinar formada na própria universidade e integrada por jornalista, programador, roteirista e designers de animação elaboram os conteúdos dos cursos juntamente com professores e consultores do Ministério da Saúde. 

O grande desafio do grupo é adaptar e transformar o conteúdo, muitas vezes extremamente, técnico em uma linguagem clara e acessível a todos. “A equipe produz, edita, publica e faz controle e avaliação sistemáticos de todos os acessos e usuários, o que possibilitou uma redução de custos para essas atividades e permitiu uma maior agilidade no desenvolvimento de novos materiais instrucionais e atualização de todos os conteúdos”, observa o professor Marcos José Machado, do Departamento de Análises Clínicas.



Certificação


Outra meta no desenvolvimento do projeto foi planejar um sistema de certificação progressiva para os profissionais do SUS e implementar a atualização dos cursos a distância para atualização massiva por MOOCs (Massive Open Online Courses) de agentes que atuam no SUS no combate a infecções sexualmente transmissíveis e hepatites virais.

“Ao usar o Telelab como instrumento de formação permanente por meio do ensino a distância e oferecido ao longo de sua história através de diferentes mídias, o DCCI/MS alcança êxito na atualização e capacitação de diferentes profissionais da área de saúde nos mais remotos locais do Brasil e do exterior, contando sempre com a parceria UFSC, via Departamento de Análises Clinicas e Fapeu, desde os anos 1990”, comenta a professora Lucy Parucker.

A primeira série de cursos foi entregue ao público no dia 7 de abril de 1997 e contou com a colaboração de especialistas de diferentes instituições. Os primeiros temas abordados foram “Técnicas para coleta de secreções”, “Técnicas para coleta de sangue”, “Técnica de coloração de Gram”, “Cultura, isolamento e identificação de Neisseria Gonorrhoeae”, “Diagnóstico laboratorial de Chlamydia trachomatis”, “Diagnóstico sorológico da sífilis” e dois cursos sobre diagnóstico sorológico da infecção pelo HIV: “Testes de Triagem” e “Testes Confirmatórios”. Naquele ano, o Telelab conquistou o prêmio Hélio Beltrão de Inovação, em razão da sua criatividade, alcance e tecnologia utilizadas, e também foi contemplado com o Prêmio About de Comunicação. A partir daí nunca mais parou.


Texto 2

Telelab integra estratégia para atender meta da OMS

A redução do número de pessoas que têm HIV sem saber, a conscientização sobre o uso da camisinha e o tratamento precoce são alguns dos desafios que o Brasil tem pela frente para atingir a meta da Organização Mundial de Saúde (OMS) de acabar com a epidemia da Aids até 2030. E a plataforma Telelab, desenvolvida pelo Departamento de Análises Clinicas (ACL) do Centro de Ciências da Saúde (CCS) da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) em parceria com a Fundação de Amparo à Pesquisa e Extensão Universitária (Fapeu) faz parte dessa estratégia.

“As diretrizes adotadas pelo Departamento de Doenças de Condições Crônicas e Infecções Sexualmente Transmissíveis (DCCI) da Secretaria de Vigilância em Saúde (SVS) para atingir as metas do Ministério da Saúde e da OMS estão ancoradas numa política de educação permanente e desafiadora”, comenta a professora Lucy Maria Bez Birolo Parucker, coordenadora do projeto. “Utilizando o Telelab como ferramenta de ensino a distância, o ministério vem capacitando diversos profissionais da área da saúde nos mais remotos locais do Brasil e mesmo no exterior”, acrescenta.

O Telelab como sistema de educação começou em 1997 já na forma de projeto vinculado à UFSC e com o gerenciamento da Fapeu, sendo coordenado inicialmente pela professora Maria Luiza Bazzo e, posteriormente, pelo professor Luiz Alberto Peregrino Ferreira.. A partir de 2008, outros dois projetos foram desenvolvidos nessa parceria, e a fase atual representa o terceiro nesse modelo, destinado principalmente à criação, manutenção e atualização da plataforma na internet.

Os resultados apresentados pelo Telelab desde o início de sua parceria com a UFSC mostram que este programa de extensão universitária vem ultrapassando todas as metas idealizadas. Desde sua introdução na rede mundial de computadores, em outubro de 2012, o número de acessos ao portal foi superior a 45 milhões com a presença de mais de 1 milhão de usuários e realizada a certificação de mais de 400 mil alunos nos cursos massivos on-line (MOOCs), principalmente profissionais e estudantes de graduação na área da saúde.

Perfil

Dentre os usuários cadastrados na plataforma, destacam-se profissionais da saúde, estudantes e professores. A análise da escolaridade indica que o maior número de inscritos possui nível superior, porém esse nível varia desde ensino fundamental até pós-graduação.

Os acessos realizados foram a partir de desktop em 66,70% das sessões, em 31,83 % de smartphones e 1,47% de tablets. Nos últimos tempos, no entanto, observou-se uma nova tendência, com mais de 50% dos novos usuários realizando as conexões por meio de smartphones.
Ao considerar-se o período de abrangência mundial das sessões, observa-se que a maioria é no Brasil (cerca de 98%) e as demais distribuídas por vários países, como Estados Unidos, Moçambique, Angola, Portugal, Reino Unido, Bolívia, Índia, Paraguai e Holanda, entre outros. Embora o conteúdo disponibilizado seja apenas em Língua Portuguesa, o Telelab chegou a mais de 100 países, segundo os dados de acesso.

“A disponibilização e a manutenção do Telelab, assegurada com esse projeto, suprem as necessidades de capacitação em todo o território nacional e a sua constante adequação dos conteúdos assegura a educação continuada com baixo custo, além de tornar viável a implantação de políticas públicas de saúde de combate a epidemias, como a da Aids, e possibilitar a formação visando à prevenção de ISTs/Aids e hepatites virais numa esfera global”, destaca a coordenadora.

Texto 3

Cursos sobre diagnósticos são os mais procurados


Dentre as capacitações disponibilizadas desde 2013, na atual fase da plataforma Telelab, o maior número de usuários com certificação foi observado no curso “Diagnóstico de HIV” (64.723), seguido por “Diagnóstico de Hepatites Virais”, com 63.025; e por “Diagnóstico de Sífilis” (56.937). Dentre os cursos mais recentes na plataforma, destacam-se os cursos de “Infecções Sexualmente Transmissíveis – Cuidados na execução dos testes rápidos”, “O Cuidado Integral da PVHIV na Unidade Básica de Saúde” e de “Doença falciforme – Conhecer para cuidar” que certificaram nesse período, respectivamente, 13.773, 10.891 e 20.064 usuários da plataforma.


Embora os acessos em maior número tenham sido realizados nos estados brasileiros mais populosos, como São Paulo e Minas Gerais, as maiores taxas de sessões realizadas por 100 mil habitantes foram observadas no Tocantins, Distrito Federal, Roraima, Sergipe, Amapá e Rondônia.

A grande maioria dos acessos ocorre nos estados brasileiros, porém, são registrados acessos em vários outros países, como os Estados Unidos com 46.950 acessos (8.369 usuários), mesmo estando o conteúdo em língua portuguesa.

A duração média dos acessos ao Telelab é de 11 minutos e 31 segundos. Dentre os usuários, cerca de 60% são pessoas que retornaram à página e 40% foram de novos usuários com permanência de 10 a 30 minutos. “Os novos cadastros mostram que a necessidade dos conteúdos ainda é crescente, assim como é crescente o acesso ao portal, tanto para visualizações quanto para cadastros. A duração média do total de páginas visualizadas por sessão indica acesso de indivíduos com tempo suficiente para leitura e estudo do conteúdo, demonstrando ser, esse material, importante ferramenta de ensino a distância.” a professora Lucy Parucker, coordenadora do projeto.

Diariamente, em torno de mil usuários estão ativos no portal Telelab, considerando o mês de fevereiro de 2020. Entretanto em muitos dias de 2019 o número foi superior a 2.500 usuários/dia. “O projeto mostra claramente que existe uma demanda para esse formato de educação, que utiliza uma linguagem de comunicação acessível e resguarda o rigor científico da informação. O acesso é livre de trâmites burocráticos e totalmente gratuito, além de o usuário poder usufruir de um certificado chancelado pela UFSC e pelo Ministério da Saúde”, acrescenta a professora.

Para ela, trata-se de um modelo consagrado e vitorioso, no qual o grande beneficiado é o usuário – e, consequentemente, a saúde pública. “A política adotada pelo Ministério da Saúde e implementada com os materiais instrucionais desenvolvidos e produzidos pela UFSC representa um grande avanço no sentido de promover melhorias nas ações de saúde e na qualidade de vida da população. Num país de dimensões continentais como o Brasil, a disponibilização desta ferramenta veio suprir as necessidades de disseminação e constante atualização de conhecimentos”, define.

PROJETO: DESENVOLVIMENTO E PRODUÇÃO DE OBJETOS DE APRENDIZAGEM A DISTÂNCIA, MULTIDISCIPLINAR, NA FORMA DE CURSOS DE CURTA E MÉDIA DURAÇÃO DIRIGIDA A ATUALIZAÇÃO MASSIVA DE PROFISSIONAIS QUE ATUAM NO SUS, NA ÁREA DE DST/AIDS E HEPATITES VIRAIS
COORDENADORA: Lucy Maria Bez Birolo Parucker / parucker.bez@ufsc.br / UFSC / Departamento de Análises Clinicas / CCS

 

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