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Publicado em 04/07/2020 à 02:07:29
Por: Assessoria
UFSC comanda estudo nacional sobre resistência da gonorreia a antimicrobianos
Pesquisa é realizada em parceria com o Ministério da Saúde e conta com o apoio de mais de 11 centros espalhados pelo país

Um estudo coordenado pelo Laboratório de Biologia Molecular, Microbiologia e Sorologia (LBMMS) da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) vai identificar os principais micro-organismos causadores de uretrites e úlceras genitais no Brasil. O trabalho integra o projeto “Vigilância Sistemática da Resistência Antimicrobiana das Cepas”, iniciado em 2014 em parceria com o Departamento de Doenças de Condições Crônicas e Infecções Sexualmente Transmissíveis do Ministério da Saúde e que conta com o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa e Extensão Universitária (Fapeu).

“A Fapeu é responsável por realizar a gestão financeira e dar suporte em questões jurídicas e recursos humanos. Além disso, em parceria com o LBMMS, realiza as compras e os processos licitatórios”, destaca a professora Maria Luiza Bazzo, coordenadora do projeto. “É muito bom para a coordenação do projeto saber que a Fapeu é parceira e que seus funcionários estão sempre atentos a questões legais que possam interferir na boa execução do projeto. Sentimos segurança na parceria com a Fapeu”, acrescenta a professora Maria Luiza.

O trabalho tem a missão de fazer a vigilância da bactéria Neisseria gonorrhoeae, monitorando a resistência aos antimicrobianos utilizados no tratamento da doença. A Neisseria gonorrhoeae é responsável por causar a gonorreia, uma infecção sexualmente transmissível (IST). A estimativa é que no Brasil surjam 500 mil novos casos da doença por ano. “Esta bactéria vem se tornando resistente a todos os antimicrobianos recomendados para o seu tratamento. No mundo há grande preocupação com a evolução dessa resistência comparável à verificada para bactérias hospitalares”, acentua a professora.

OMS

A recomendação atual da Organização Mundial da Saúde (OMS) para o tratamento de primeira linha contra a gonorreia é a utilização da terapia dupla à base de ceftriaxona e azitromicina, antimicrobianos também adotados no Brasil. “Infelizmente, no entanto, já foram reportadas em outros países cepas resistentes a estes dois antimicrobianos, esgotando as opções terapêuticas disponíveis para o tratamento efetivo da gonorreia”, relata a Maria Luiza. Assim, a pesquisa e desenvolvimento de novos fármacos e realização de estudos clínicos para reposicionamento de antimicrobianos já disponíveis é uma das prioridades da OMS.

O primeiro estudo de vigilância desenvolvido na UFSC foi finalizado em 2017. Naquele trabalho foi possível analisar 550 isolados bacterianos de Neisseria gonorrhoeae que foram coletados em 2015 e 2016 em Florianópolis e outras seis capitais: Porto Alegre, São Paulo, Belo Horizonte, Salvador, Brasília e Manaus. O estudo teve seus dados publicados em 2018 no Journal of Antimicrobial Chemotherapy, periódico da Sociedade Britânica de Quimioterapia Antimicrobiana, no artigo “First nationwide antimicrobial susceptibility surveillance for Neisseria gonorrhoeae in Brazil, 2015–16”.

Dados inéditos

O segundo estudo de vigilância está sendo desenvolvido no momento e a coleta das amostras começou em 2018. Além das sete cidades iniciais, outros cinco centros localizados em Curitiba, São José dos Campos, Ribeirão Preto, Recife e Natal aderiram ao projeto. O estudo atual também tem um novo desafio: a realização da análise etiológica das uretrites e úlceras genitais.

“Esta frente irá fornecer dados inéditos para o país, pois será possível identificar quais são os principais microrganismos que causam, atualmente, as uretrites e as úlceras genitais no Brasil”, destaca a coordenadora dos trabalhos. O final das coletas está previsto para 2021. “Ao final do projeto teremos números significativos do que circula no Brasil”, projeta Maria Luiza, que coordena uma equipe de mais cinco pesquisadores do LBMMS. Contando com os centros parceiros são estimados mais de 100 profissionais envolvidos. O LBMMS é responsável pela coordenação do projeto, análise das amostras e de todos os isolados bacterianos enviados pelas unidades parceiras.

O público pesquisado são homens com 18 anos ou mais com queixa de corrimento uretral e que recorrem a clínicas, hospitais ou centros de saúde parceiros do projeto no Brasil. Tanto em homens quanto em mulheres, a infecção, se não tratada, pode levar à infertilidade. Em casos raros pode ocorrer uma contaminação gonocócica sistêmica, levando a problemas articulares, cardíacos e eventualmente ao óbito. 

Então, afinal, atualmente, qual a melhor forma de evitar a contaminação ou propagação da bactéria da gonorreia? Muito simples: use preservativo.

PROJETO: VIGILÂNCIA SISTEMÁTICA DA RESISTÊNCIA ANTIMICROBIANA DAS CEPAS / COORDENADORA: Maria Luiza Bazzo / marialuizabazzo@gmail.com / UFSC / Departamento de Análises Clínicas / CCS / 6 participantes

*Esta reportagem integra a 12ª edição da Revista da Fapeu, que pode ser acessada na íntegra em https://is.gd/I37SH3/Fapeu

Foto: Manoela Valmorbida

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