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Publicado em 19/08/2020 à 11:08:17
Por: assessoria
Próteses mais saudáveis e duradouras
Pesquisa desenvolvida no Cepid da UFSC com financiamento de instituto suíço estuda a adoção do polímero PEEK em implantes dentários

Chegar a uma prótese dentária livre de doenças infecciosas geradas por bactérias e, desta forma, aumentar a longevidade dos implantes dentários. Este é um dos principais objetivos do projeto “Produção, Caracterização e Avaliação Biológica de Poli-Eter-Eter Cetona Sulfonado para Aplicação em Implantodontia”, desenvolvido pelo Centro de Ensino e Pesquisa em Implantes Dentários (Cepid) da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) em parceria com o Núcleo de Pesquisas em Materiais Cerâmicos e Compósitos (Cermat), do Departamento de Engenharia Mecânica da UFSC, e com o Laboratório de Tecnologias Integradas (Intelab) do Departamento de Engenharia Química e Engenharia de Alimentos também da UFSC. 

O trabalho é coordenado pelo professor Cesar Benfatti, do Departamento de Odontologia da UFSC, e conta com o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa e Extensão Universitária (Fapeu). “Meu relacionamento com a Fapeu é de muitos anos, em que ela viabiliza a entrada e a saída de recursos do projeto”, explica Cesar Benfatti. Também participam do trabalho os professores Ariadne Cruz e Ricardo Magini, da equipe do Cepid, que atuaram tanto na idealização quanto na execução do projeto, e a aluna de doutorado do Programa de Pós-Graduação em Odontologia da UFSC, Renata Scheeren Brum.

 
Financiamento

 
Aprovado em 2017, o projeto é financiado pelo instituto suíço International Team for Implantology (ITI). O ITI é uma associação global de profissionais em implantodontia cujos objetivos são a promoção e disseminação do conhecimento sobre implantodontia e áreas afins, atendendo profissionais da área odontológica e estimulando o aprendizado, o networking, a discussão e o intercâmbio. “O escopo do projeto é a análise de um polímero, o PEEK (poli-eter-eter cetona), no intuito final de melhorar suas aplicações na odontologia e na medicina”, destaca o professor Benfatti, que possui graduação, mestrado, doutorado e pós-doutorado em Odontologia sempre na UFSC.

Considerado um dos polímeros de mais alta performance no mundo, o PEEK é um termoplástico multifuncional utilizado em situações que exijam alta resistência à temperatura (até 260°C) e resistência mecânica. Atualmente já é muito utilizado nas indústrias de eletroeletrônicos, mineração, setor aéreo, entre outros. Algumas áreas da medicina também começam a adotá-lo.

Hoje, tanto na implantodontia quanto na ortopedia, a busca de um material que some boas características mecânicas e biológicas tem sido uma constante. Entre os materiais pesquisados, o PEEK, por possuir uma boa biocompatibilidade, uma boa resistência e uma estabilidade muito grande, é um dos mais estudados. “Somado a isso, também tem se buscado materiais implantáveis inteligentes, ou seja, que consigam biomodular o organismo, direcionando, melhorando ou acelerando o reparo. Dessa forma, cirurgias de implantes dentários ou até mesmo ortopédicos se tornariam mais previsíveis”, explica o coordenador do trabalho na UFSC.

 
Futuro

Para o professor, os polímeros terão um papel fundamental no futuro da implantodontia. “E o PEEK é um material com um dos maiores potenciais quando penso em polímeros não reabsorvíveis”, acrescenta. A intenção dos pesquisadores é agregar ao PEEK inibidores de adesão bacteriana, impedindo assim que infecções venham a acometer os implantes dentários a médio e longo prazos. “Os benefícios na implantodontia serão inúmeros”, ressalta Benfatti.

A expectativa é de que a técnica com o polímero também possa ser empregada em outras áreas da Medicina, como a ortopedia, por exemplo. Porém, o caminho está apenas no começo, pois os estudos estão apenas na fase de estudos in vitro – e ainda foram prejudicados pela pandemia do coronavírus e suas restrições sanitárias, como a necessidade de isolamento. Até a técnica chegar ao uso humano, uma série de testes e critérios precisarão ser atendidos conforme determina a Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (Conep) e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Mas os resultados certamente chegarão, e os pacientes vão agradecer.

PROJETO:
PRODUÇÃO, CARACTERIZAÇÃO, AVALIAÇÃO BIOLÓGICA DE POLI-ETER-ETER CETONA SULFONADO PARA APLICAÇÃO EM IMPLANTODONTIA / COORDENADOR: Cesar Benfatti / cesarbenfatti@yahoo.com / UFSC / Departamento de Odontologia / Cepid / 4 participantes

*Esta reportagem integra a 12ª edição da Revista da Fapeu, que pode ser acessada na íntegra em https://is.gd/I37SH3/Fapeu

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