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Publicado em 16/09/2020 à 05:09:44
Por: assessoria
Inclusão e valorização dos saberes indígenas
Projeto incentiva a formação continuada de professores de escolas dos povos Guarani, Kaingang e Laklãnõ-Xokleng em Santa Catarina

Entre o final de 2020 e o começo de 2021 deve ocorrer a quarta edição do projeto Ação Saberes Indígenas na Escola (Asie), iniciativa regulamentada pelo Ministério da Educação (MEC) e desenvolvida em território catarinense pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) em parceria com a Secretaria de Estado da Educação (SED) e gestão administrativa e financeira da Fundação de Amparo à Pesquisa e Extensão Universitária (Fapeu). “Como gestora dos recursos advindos do MEC, a Fapeu é o meio de campo para a concretização do projeto, atendendo à legislação específica e apoiando a equipe nos trâmites da UFSC”, destaca a antropóloga Maria Dorothea Post Darella, que coordenou as três edições anteriores - a próxima ficará sob responsabilidade do arqueólogo Bruno Labrador.

O projeto Ação Saberes Indígenas na Escola foi instituído pelo MEC por meio da Portaria nº 1.061, de 6 de dezembro de 2013, e regulamentado pela Portaria nº 98, de 6 de dezembro de 2013. Desenvolvido em todo o país por meio de parcerias entre instituições de ensino superior e secretarias estaduais de Educação, tem como principal objetivo promover a formação continuada de professores da educação escolar indígena, especialmente aqueles que atuam nos anos iniciais da educação básica nas escolas indígenas.

“O Saberes Indígenas surgiu para complementar uma atividade que já existia nas aldeias. Este projeto não é uma proposta do ministério, do Ministério da Educação, é um programa construído pelos povos indígenas e seus parceiros a partir do que querem para suas línguas e suas escolas. Eles são os protagonistas e nós temos o respeito na condução”, ressaltou Ana Maria Rabelo Gomes, professora na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e coordenadora da Asie Rede Sul-Sudeste, na qual o Núcleo UFSC está integrado.

Em Santa Catarina, os trabalhos são desenvolvidos em cerca de 45 unidades educacionais ligadas sobretudo à rede estadual de ensino e localizadas em 21 terras indígenas das etnias Guarani, Kaingang e Laklãnõ-Xokleng situadas, respectivamente, no Litoral, no Oeste e no Alto Vale do Itajaí.

“O projeto é a oportunidade de pensar as escolas nas comunidades, aprofundar os saberes indígenas na escola, perceber o potencial do poder fazer pedagógico de acordo com as pautas debatidas em conjunto (professores, diretores, lideranças, sábias/ sábios, pais, alunos), dar sentido à existência da escola, além de estimular o convívio entre anciãos, professores e jovens alunos”, ressalta Maria Dorothea.

Formação

O conteúdo e as atividades são desenvolvidas pelos professores-pesquisadores em acordo com os mais velhos das comunidades – anciãs/anciãos, especialistas, lideranças religiosas e políticas. As atividades de cada edição são desenvolvidas por cerca de seis meses, com custeio do MEC, que avalia e aprova os planos de trabalho, relatórios e prestação de contas. A primeira edição foi realizada entre os anos de 2015 e 2016 e capacitou cerca de 250 professores. A segunda ocorreu entre 2017 e 2018 e a terceira entre 2018 e 2019 – ambas mobilizaram em torno de 300 docentes.

“Além dos professores diretamente inscritos no projeto, temos o envolvimento das famílias e das comunidades, bem como daqueles docentes que, pela limitação do número de vagas disponíveis, atuaram como voluntários e receberam certificação específica pela participação”, conta Maria Dorothea. Os professores são oriundos principalmente de graduações da UFSC (curso Licenciatura Intercultural Indígena do Sul da Mata Atlântica); da Uniasselvi, de Indaial; da Universidade Comunitária da Região de Chapecó (Unochapecó) e da Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS), de Chapecó. “Há também a participação de professores não indígenas que atuam em escolas indígenas”, acrescenta a antropóloga.

Exposição

Além de gerar livros pedagógicos específicos para as escolas indígenas e de inspirar a realização de teses de doutorado e trabalhos de conclusão de curso na UFSC, a Saberes Indígenas também resultou, entre outubro de 2017 e julho de 2018, em uma exposição de trabalhos produzidos nas escolas indígenas. Realizada no Museu de Arqueologia e Etnologia (MArquE) da UFSC, a exposição “Tecendo Saberes pelos Caminhos Guarani, Kaingang e Laklãnõ-Xokleng” foi produzida com curadoria compartilhada entre representantes das três etnias, a equipe do projeto e profissionais especialistas do MArquE.

“Nossas vozes estavam invisíveis apesar de nossa existência. Mas hoje, graças à Ação Saberes, as nossas vozes estão aparecendo. A Ação Saberes fez, junto com o povo, com os professores e com as ideias dos anciãos, tudo valer a pena”, definiu o linguista Xokleng Namblá Gakran, no encerramento da exposição. “É uma conquista que a gente teve, de fazer o trabalho de cartilha, de livro e com o apoio da Ação Saberes Indígenas realizando, vai ser de grande valor para os professores de todo o povo Guarani e de todos os povos indígenas”, comemorou o cacique Guarani Nico de Oliveira Vera na ocasião.

“A Ação Saberes nos dá a oportunidade de saber, de conhecer e de sermos cada vez melhores como povos, como educadores indígenas e como lideranças. Porque toda a educação é transmitida não só na escola, mas também fora das escolas por estes mestres do conhecimento que são os anciãos, a quem faço um agradecimento especial”, acrescentou o professor Laklãnõ-Kaingang Ronelssom Luiz. Vida longa ao Ação Saberes Indígenas na Escola, porque inclusão e cidadania são feitas assim, com valorização da cultura de todos os povos - especialmente daqueles que aqui chegaram primeiro. Mais informações sobre o Ação Saberes Indígenas na Escola estão disponíveis no site https://saberesindigenas.ufsc.br/

PROJETO: AÇÃO SABERES INDÍGENAS NA ESCOLA / COORDENADORES: Maria Dorothea Post Darella (1ª, 2² e 3² edições), Ana Letícia Trivia (finalização da 3ª edição) e Bruno Labrador (4ª edição) / dadoro@gmail.com e brunolabrador@gmail.com / UFSC / Reitoria da UFSC / Museu de Arqueologia e Etnologia Oswaldo Rodrigues
Cabral / 350 participantes

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