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Publicado em 28/07/2023 à 12:07:54
Por: Assessoria de Comunicação
Oceanografia da UFSC vai pesquisar para a Petrobras os efeitos das mudanças no clima
Trabalho será realizado até o final de 2025 e vai focar nas bacias de Santos, Campos e Espírito Santo, áreas consideradas estratégicas para a empresa

Até o final de 2025, um grupo de pesquisadores da Coordenadoria Especial de Oceanografia da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) vai estudar as mudanças climáticas que poderão influenciar as operações da Petrobras no Litoral brasileiro. A pesquisa será focada nas bacias de Santos, Campos e Espírito Santo, consideradas estratégicas pela existência de pré-sal, rochas de acúmulo de petróleo e gás. Financiado pela Agência Nacional do Petróleo (ANP), o trabalho será desenvolvido em parceria com a empresa Appix – Inovação em Tecnologia da Informação, de Balneário Camboriú, e contará com o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa e Extensão Universitária (Fapeu).

“A Fapeu é fundamental para o desenvolvimento de projetos como esse, no qual há uma grande complexidade administrativa envolvida. A experiência da Fapeu é de grande importância para a condução e conclusão do projeto. Sem apoio da fundação, não teríamos como realizar projetos dessa magnitude”, destaca o coordenador do projeto, professor Antonio Fernando Härter Fetter Filho. A Appix vai desenvolver um software que reunirá as informações obtidas ao longo do estudo.

O projeto terá a missão de produzir uma análise estatística detalhada das principais variáveis que interferem diretamente no dimensionamento de instalações offshore da indústria de gás e óleo, bem como o impacto destas mudanças nos tempos de operação e de parada das estruturas em razão das mudanças climáticas. Esses dados serão incorporados no software criado pela Appix para permitir a apresentação de uma forma amigável e rápida. Os trabalhos começaram em maio de 2023.

Entre as variáveis que serão analisadas estão as temperaturas da camada superficial do oceano e a intensidade de correntes, obtidas a partir dos modelos do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC). “Outra variável importante é a temperatura da camada superficial do oceano porque a Petrobras utiliza a água do oceano para resfriar equipamentos”, ilustra o professor. “Isso pode significar que, de acordo com os dados, eles percebam que precisam de águas mais profundas. Então tudo isso impacta a operação, e, por isso, a importância das informações climáticas para se preparar para o futuro”, explicou o professor à Agecom da UFSC na época da assinatura do contrato.

“Em todas as instâncias dos processos de decisão, cada uma com necessidades específicas, é necessário se apropriar desses dados sobre as mudanças climáticas”, destacou o professor. Ele exemplifica a importância desses dados usando a variável da intensidade da corrente marítima, que é influenciada pelas mudanças climáticas. Como a Petrobras opera com equipamentos no fundo do mar, saber como essas correntes podem influenciar é um dado essencial para manter a operação.

Relevância

As informações climáticas também são importantes para as seguradoras e para os órgãos financeiros que realizam financiamentos para a compra de equipamentos. A análise desses dados do IPCC pela equipe da UFSC servirá a diferentes frentes de trabalho. “Temos que entender quais são os clientes, que informações necessitam e de que forma devem ser apresentadas”. As estatísticas serão agregadas pelo software. “Vamos ter diferentes maneiras de apresentar essa informação, dependendo da finalidade de uso”, ressalta o coordenador.


O objetivo é que os dados possam ser utilizados tanto operacionalmente – para prever como serão, por exemplo, temperaturas da camada superficial do oceano e intensidade de correntes –, quanto na área gerencial.

Plataformas

A pesquisa torna-se ainda mais relevante a partir do anúncio feito em julho deste ano de que 23 novas plataformas de produção de petróleo serão colocadas em atividades até 2028. Desse total, 19 Unidades Estacionárias de Produção (UEPs), como são tecnicamente chamadas as plataformas de produção de petróleo e gás, ficarão no estado do Rio de Janeiro, uma em São Paulo, uma no Espírito Santo e duas em Sergipe.

 

Entre 2023 e 2025, 13 plataformas entrarão em operação e, entre 2026 e 2028, mais 10 novas UEPs. Com este incremento, a estimativa é de que até o final da década a produção nacional de petróleo alcance cerca de 4,8 milhões de barris diários, número 60% superior aos 3 milhões de barris /dia atuais.

“Nós queremos saber como vai mudar a temperatura do ar, a velocidade do vento, como vai mudar a temperatura da água, velocidade da corrente, altura de onda etc. O modelo do IPCC já tem as previsões de todos esses números. Mas quando a gente está falando em clima, a gente está falando em décadas, em séculos”, contextualizou o professor, em entrevista para a Agecom.

Diferenças

A equipe do professor Fetter fez trabalhos semelhantes para o porto de São Francisco do Sul, quando foram analisados os riscos climáticos sobre as operações portuárias. “A gente sabe que a temperatura está aumentando, que as diferenças de temperatura entre a região tropical e equatorial e as regiões polares também está. Isso vai gerar ventos mais fortes, um sistema mais dinâmico”, comparou.

 
As variáveis de interesse podem ser modificadas no decorrer da pesquisa, mas a temperatura do ar, da água e a velocidade das correntes, do vento, altura e direção de onda devem compor as previsões. “Os modelos estatísticos, entretanto, costumam ter erros, por isso a busca pelo refinamento é importante. Para isso, a equipe atua de modo a aumentar a confiança na estimativa estatística”, destacou Fetter.


“O que vamos entregar é uma análise estatística, mostrando qual a tendência de mudança dessas variáveis ao longo do tempo. E mais importante do que a tendência de mudança, nesse caso, é a questão dos extremos – tempestades, ciclones que podem chegar na região”, definiu o professor.

 
PROJETO: SISTEMA DE RISCOS FÍSICOS CLIMÁTICOS PARA AS INSTALAÇÕES COSTEIRAS E OFFSHORE / COORDENADOR / Antonio Fernando Härter Fetter Filho / antonio.fetter@ufsc.br / UFSC / Coordenadoria Especial de Oceanografia / CFM / 20 participantes

 

Foto: Divulgação/Petrobras

 

* Esta reportagem integra a edição 14 da Revista da Fapeu que está disponível em http://tinyurl.com/RevistaDaFapeu2023

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